AS CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA

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“Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis” – 2 Timóteo 3:1

Em 31 de Outubro de 1517, Lutero publica suas 95 teses contra a venda de indulgências. Esta data marca o início da Reforma. Mas, a Reforma não se limita somente ao século XVI. Existem poucos eventos históricos que tem uma repercussão tão extensa quanto a própria Reforma. Gostaria de enumerar algumas consequências da Reforma:

Surgem igrejas evangélicas = conforme o Evangelho:

Lutero não queria dividir a igreja mas, sim, uma reforma dela. Historicamente a Igreja Católica Romana sofreu com a Reforma o segundo Grande Cisma, depois de se separar das igrejas ortodoxas no ano de 1045.

As igrejas evangélicas surgem justamente por causa da Igreja Romana se desviar, na idade média, mais e mais do Evangelho. A Reforma é um movimento para voltar para o fundamento do Evangelho.

A Bíblia nas mãos de todos:

Lutero traduz a Bíblia para o idioma alemão em 1521. Até então, as bíblias eram em latim, uma língua que somente os mais instruídos entenderam (em parte), como também a missa foi celebrada nesta língua. O povo não tinha acesso às escrituras e a interpretação era somente privilégio do clero (padres, bispos, etc.) e da igreja em si. Com a Bíblia na língua do povo, as pessoas por si mesmas podem ler e entender as Sagradas Escrituras. Terminou, assim, o domínio exclusivo dos clericais sobre a mensagem do Evangelho. O povo comparou a Escritura com a realidade da igreja e, muitas vezes encontrou divergências. A partir da Reforma, a Bíblia começou a ser disponibilizada nas línguas dos povos.

Educação para todos:

A Reforma reclamou o direito de educação para todos e não somente para os nobres e o clero. Demorou, até que finalmente, a partir do século XIX, as escolas abriram suas portas para todos. Mas, sem a Reforma, certamente nem hoje teríamos acesso à educação para todos.

Autoajuda em vez de esmolas:

A ordem divina estabelece que existem ricos e pobres – assim pensava a igreja medieval. Ser misericordioso significava dar esmolas para os mendigos. Para os reformadores, mendigar era desaprovado. Para eles, a Igreja e os cristãos devem se empenhar para que os necessitados possam se auto- ajudar e sair da sua miséria pelo próprio esforço.

Trabalho é culto:

“O meu trabalho é o meu chamado, é culto a Deus”, esta foi a avaliação positiva da Reforma referente ao trabalho. Para os protestantes, a diligência é uma forma de agradecimento pelas bênçãos recebidas de Deus. Até então o trabalho foi visto como um “mal necessário”.

Semente da democracia e do capitalismo brando:

Com a valorização do indivíduo, a pessoa entra mais no centro das atenções. Este princípio reformado leva ao Iluminismo, que prepara o chão para a democracia. Para Calvino, uma das evidências da bênção divina foi o sucesso econômico – uma das bases do capitalismo.

Igualdade de direitos:

Para Lutero mulheres e homens tem igualdade de direitos, mesmo tendo funções diferentes. O “sacerdócio universal de todos os crentes” é um forte fundamento para a igualdade.

Estado e Igreja são separados:

Lutero e os reformadores sublinharam que tanto a igreja como o estado têm as suas áreas específicas de atuação e não se deve misturar os dois reinos e seus valores.

A Reforma transformou o mundo e suas influências até hoje formam as bases de uma sociedade moderna. Somos gratos porque pertencemos à uma igreja cuja origem se deu na Reforma.