CONHEÇA AS PESSOAS CONHECENDO A DEUS

14 de outubro de 2017
Boletim Digital 15Outubro 2017

conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor (Oséias 6.3)

Nos textos bíblicos os verbos traduzidos por “conhecer” são mais ricos do que imaginamos e podem dar um novo significado à maneira como compreendemos o conhecimento hoje. Em nossos dias, por causa da agilidade com que acessamos os dados a respeito de quase tudo, é fácil confundirmos e considerarmos conhecer algo ou alguém no simples fato de termos informações a seu respeito.

A cultura científica também nos influencia, rotulando o conhecimento como produto de uma análise e assimilação racional das provas adquiridas. No entanto, compreendo que tais tendências não contribuem muito quando o assunto trata da nossa necessidade de conhecer as pessoas e a Deus. Biblicamente, conhecer é uma afetiva relação entre o que desejamos conhecer e o que é, somente assim, conhecido. Nas Escrituras você conhece na medida em que vai estabelecendo contato, partilhando experiências, com troca de emoções e criando intimidade. Para conhecer é preciso tempo, envolvimento intencional, respeito, confiança e amor. Sim, conhecer é uma faculdade de quem ama! Não envolve tão somente a apreensão intelectual de informações, mas é a consequência de um investimento pessoal, pressupondo afeição e vontade.

Para mim, viver esta compreensão bíblica do conhecimento é exatamente do que precisamos hoje em dia. Em meio ao crescente individualismo e uma notória carência de sentido para a vida, esta ênfase das Escrituras no conhecimento experimental e relacional pode muito nos orientar. Interessante o que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman confidenciou certa vez em entrevista a uma equipe brasileira. Ele disse que um jovem viciado em Facebook gabou-se ao afirmar que havia feito 500 amigos em um dia. Bauman respondeu ao rapaz que, com seus 86 anos, ainda não possuía este número de amigos. Por isso, concluiu: “provavelmente, quando ele diz ‘amigo’ e eu digo ‘amigo’, não nos referimos a mesma coisa”. É certo que o sentido da amizade, como de todo relacionamento humano, tem escorrido pelo vão dos nossos dedos. Isto, talvez, por não sabermos mais como conhecer as pessoas. Ou, também talvez, por não desejarmos mais conhecê-las de fato. Temos perdido a disposição de amar. Sem relacionamentos verdadeiros, somos tentados a criar e usar inúmeras (e vãs) saídas modernas diante da nossa carência de vínculos.

Da mesma maneira, o desejo genuíno e a necessidade que temos de conhecer a Deus são enfraquecidos quando compreendemos que para conhecê-lo temos que nos relacionar com Ele, amá-lo e obedecê-lo. Com pressa, buscamos um conhecimento instantâneo sem a disposição de caminhar com Jesus e junto com Sua Igreja. Autossuficientes, não recebemos bem a ideia de considera-lo nosso Salvador e Senhor. Racionalizando tudo, viciados por provas a serem analisadas, não nos abrimos à fé. Assim, também somos levados a suprir (em vão) nossa carência do verdadeiro Deus com os incontáveis ídolos contemporâneos. Agora entendemos o motivo do profeta Oséias gritar enfaticamente a importância de Israel nunca desanimar em conhecer o Senhor. Estando com Ele, “reconhecendo-o em seus caminhos” (Provérbios 3.6), relacionando-se com Sua grandeza e amor, todo o povo desenvolveria outra forma de conhecer também as pessoas, criando uma nova cultura.

Em nosso tempo, precisamos urgente ouvirmos as profecias bíblicas, que apontam caminhos essenciais: Deus é conhecível, por solidariamente revelar-se a nós na criação (Romanos 1.19) e em Jesus, o Cristo (Colossenses 1.15). Deus se agrada e deseja que o conheçamos (Jeremias 9.23-24). E o conhecendo somos transformados (2Coríntios 5.17), para novos relacionamentos com as pessoas (Colossenses 3.1-17).