MAGNIFICAT

18 de dezembro de 2016

“A minha alma engrandece ao Senhor” Lucas 1.46-55

O Magnificar ou do latim Magnificat, significa “grande, engrandecer”. Aqui não se fala de Maria, mas é Maria que fala de Deus e das maravilhas que realizou nela, no mundo e no seu povo.

No Magnificat, Deus não só é o Poderoso, a quem nada é impossível, mas também o Misericordioso, capaz de ternura e fidelidade para com todo ser humano.

Ele faz proezas com seu braço; dispersa os soberbos de coração; derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes; os famintos os sacias de bens e despede os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53). Com sua leitura sapiencial da história, Maria nos leva a descobrir os critérios da misteriosa ação de Deus. O Senhor, confundindo os critérios do mundo, vem em auxílio dos pobres e pequenos, em detrimento dos ricos e dos poderosos, e, de modo surpreendente, enche de bens os humildes, que lhe encomendam sua existência.

Estas palavras do cântico, ao mesmo tempo em que nos mostram em Maria um

modelo concreto de submissão , nos ajudam a compreender que o que atrai a benevolência de Deus é sobretudo a humildade de coração. O cântico exalta o cumprimento das promessas e a fidelidade de Deus com o seu povo escolhido: “Auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência para sempre” (Lc 1,54-55).

Deus não está amarrado a nada, a não ser às suas promessas. Ora, as promessas feitas

aos Pais se concentram no dom do Messias. Paulo concretiza ainda mais estas promessas referindo-se à ressurreição, como declara em sua célebre defesa diante do Sinédrio: “Irmãos, é por causa de nossa esperança, a ressurreição dos mortos, que estou sendo julgado” (At 23,6; 26,6). Essa promessa/ esperança foi maximamente atuada “na ressurreição de Jesus” (At 13,33).

As promessas especificamente feitas a Abraão são: terra, descendência e bênção universal. Mas foram reelaboradas no NT em termos espirituais: são respectivamente o Reino (Mt 5,5; Hb 4,8-9; 11,13-16), Cristo (Gl 3,16) e os cristãos (Rm 5,16- 17) e finalmente a salvação de todos em Jesus (Gl 3,8-9).

Tais promessas se prolongam ao longo da história, sobre a descendência de Abraão, como aparece nas promessas que Deus lhe fez: “Estenderei minha aliança entre mim e ti, e, depois de ti, às gerações que descenderão de ti” (Gn 17,7; Mq 7,20).

O magnificat é o preludio de uma nova criação, redenção e salvação.