MISSÕES: DESAFIO ATUAL E URGENTE

 “Deste modo esforçando-me por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio.”

Romanos 15:20

 

Muitos têm sido os desafios missionários no mundo atual. No Brasil, adentramos o século XXI ainda ansiando ver o país como o celeiro missionário que muitos missiólogos afirmaram que seria.

O censo do IBGE de 2010 aponta o Brasil com um número de mais de 40 milhões de evangélicos representando 22% da população nacional. Porém, quando lançamos um olhar para as estatísticas do envio de missionários no mesmo período, temos a triste constatação de que este número não teve a mesma proporção. Temos não mais do que 6 mil missionários brasileiros enviados a campos transculturais (no Brasil e fora dele), significando assim, que apenas uma pequena porcentagem dos cristãos evangélicos brasileiros estão efetivamente como missionários em contextos transculturais.

O tema Missões tem sido transmitido em muitas de nossas igrejas, mas infelizmente, ainda encontra dificuldade para ultrapassar as quatro paredes dos templos, despertando a paixão por almas e o privilégio de servir aqueles que não conhecem a Jesus. De reconhecer entre os seus membros aqueles que são chamados, em prepará-los, enviá-los e proverem o cuidado destes no campo missionário.

A palavra de ordem é uma teologia mais executiva de planos e ações, de vitória, prosperidade, problemas sanados, doenças curadas e uma vida plena ao lado de um deus-mágico-poderoso e, é claro, obediente aos pedidos e decretos de seus “filhos”.

Uma mentalidade espiritual formada por uma teologia que cria dependência emocional, física, financeira, tecida por laços e promessas infundadas numa vida sobrenatural, de prosperidade e triunfalismo, que afasta qualquer vislumbre de amor aos perdidos. E mais, de nada se distancia de religiões sincréticas que por vezes tanto abominamos.

Trazer uma perspectiva missiológica e a urgência do evangelho para os povos não alcançados gera uma frase já muito usada: “Sim, cada um possui seu chamado e meu vizinho é o meu campo missionário.”

Não discordo desta visão, pois sim, pessoas do nosso convívio são o nosso campo, mas e aquelas que não são do nosso convívio? Também não o são?

São quase 600 povos não alcançados pelo evangelho no mundo e quase 1.800 línguas sem tradução bíblica. Estes povos, na sua maioria, se encontram em regiões de difícil acesso do globo terrestre, possuem línguas complexas de serem decifradas e aprendidas, sistemas culturais diversos, envolvidos em um contexto de forte controle e poder espiritual, o que gera, segundo Ronaldo Lidório, uma batalha espiritual concreta na vida de missionários e suas famílias.

Assim, a igreja brasileira não pode perder o foco de investir em missões, e mais, investir no preparo de missionários (as) que estejam dispostos a colocar a mão no arado rumo a estes povos que ainda não conhecem a Cristo.

Que o Deus da seara nos livre do comodismo. E que esse mesmo Deus nos fortaleça no conhecimento da Sua Palavra, nos prepare e nos desperte cada dia mais no investimento pessoal, espiritual e financeiro em missões para que o nome do nosso Salvador ecoe nos quatro cantos da terra, especialmente entre aqueles que nunca ouviram.

Ao nosso Deus missionário, seja a glória, força e poder para sempre!