NÃO FAÇAM ACEPÇÃO DE PESSOAS

13 de novembro de 2016
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“Meus irmãos, […], não façam acepção entre as pessoas, tratando-as com favoritismo” – Tiago 2:1

A palavra acepção tem por significado: separar, discriminar, escolha. Ela enaltece e valoriza a diferença entre as pessoas. Favorecendo assim a formação de preconceitos entre as pessoas.

O termo preconceito em sua etimologia (origem das palavras), no seu sentido mais literal, nada mais é do que um julgamento antecipado, o que não significa dizer que este “pré-juízo” resulta em algo ruim, mas tão somente equivocado ou mesmo precipitado. O preconceito é o exercício mental de um juízo de valor, sobre determinados indivíduos, grupos ou situações, que não encontra  valor a não ser por meio de um ato de discriminação.

A discriminação é um tema fascinante e frustrante para os estudiosos. Fascinante por ser um mecanismo poderoso, que se manifesta claramente por padrões históricos e contemporâneos de desigualdade; frustrante por ser evasivo e difícil de medir.

Para alguns, a discriminação é tão fácil de visualizar quanto uma briga à luz do dia. A percepção vem por meio de pistas sutis no modo como os outros são tratados ao nosso redor ou na maneira como nós mesmos somos tratados. A conversa áspera com o atendente da loja, o segurança que reforça sua atenção, o taxista que não te atende, o bom dia que não é falado no dia a dia, o sorriso que deixamos de dar para uma pessoa conhecida, entre outros.

Seja pela idade, gênero, raça, deficiência, orientação sexual, seja por qualquer outra identidade estigmatizada, a maioria consegue pensar em, no mínimo, um caso no qual nós ou alguém próximo foi tratado de modo injusto por causa de uma única diferença de condição.

Estudos documentaram percepções de discriminação em mulheres, pessoas mentalmente doentes, homossexuais masculinos e femininos, e obesos, entre outros. Não é surpreendente que a maior parte das pesquisas sobre percepções de discriminação refira-se a minorias raciais. A discriminação de alguma forma acaba assim levando a formação de “panelinhas”. Essas “panelinhas” vão sendo construídas inicialmente por afinidade e depois por exclusão daqueles que não pensam como nós, não permitimos que as pessoas entrem. Assim vamos levantando e fortificando os muros, vamos nos fechando em nossos “guetos”.

É preciso combater o que provoca a discriminação. Todo tipo de discriminação e desigualdade deve ser banida do meio do povo de Deus. Tiago nos alerta para a importância da relação entre indivíduo e sociedade, entre pessoa e comunidade, entre ação humana e estrutura social. Somos seres sociais, e como cristãos, os relacionamentos humanos e a vida na sociedade são essenciais para nossa fé.

Deus não mostra parcialidade ou favoritismo (Deuteronômio 10.17; Atos 10.34; Romanos 2.11;

Efésios 6.9), e nem nós deveríamos. Em Tiago 2.4 afirma: “não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados?”; “Devemos sim amar a nosso próximo como a nós mesmos” (Tiago 2:8).

No Antigo Testamento, observamos a divisão em dois grupos “raciais”: judeus e gentios. A intenção de Deus era que os judeus formassem um reino de sacerdotes, ministrando às nações gentias. Mas ao  invés disto, em sua maioria, se tornaram orgulhosos de sua posição e desdenharam dos gentios. Jesus Cristo colocou um fim nisto, destruindo a parede

divisória da hostilidade (Efésios 2.14). Todas as formas de racismo, preconceito e discriminação são afrontas ao amor demonstrado por Cristo na cruz. Em Gálatas 3.28 está escrito: “nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho  nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Gosto muito do “slogan” da nossa Igreja: “gente feliz que se importa

com pessoas”. Como igreja percebemos a preocupação ministerial, num contexto social, de não deixar morrer esta visão, e isto deve ser resgatado e trabalhado diariamente em nossa igreja, por cada membro, para que ela seja um lugar de refúgio e esperança, isto  é, de gente feliz sem discriminação.  Que Deus nos dê Graça para que a nossa igreja seja um lugar de inclusão e não exclusão. Cada um de nós é convidado a praticar o que está

escrito no texto de Tiago 2. 1-4, tratando a todos de igual forma, derrubando os muros da separação e construindo pontes de união e esperança.