NÃO USE BRANCO NO RÉVEILLON, MAS DIARIAMENTE

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes” – Eclesiastes 9.8 a

O Réveillon ou Ano Novo é uma festa de passagem de ano, com base no calendário gregoriano, marcada por algumas práticas como uma ceia, ajuntamento familiar e de amigos, queima de fogos de artifício, bebidas, felicitações e o tradicional uso de roupas, predominantemente, brancas. Assim, na noite de 31 de dezembro, pessoas vestem branco. A origem desse costume vem da devoção à Iemanjá, entidade do Candomblé e Umbanda, visando energização, visto ser o branco a soma de todas as cores, bem como uma amostra de que se anseia por paz no ano que se inicia, externando o desejo de viver um ano sem maiores dissabores, depositando nas vestes para aquele dia, fé e pensamentos positivos.

E não sem razão, porque temos experimentado dias difíceis, com percentuais alarmantes de depressão, pânico, suicídio, desintegração familiar e outros tantos traumas de toda a sorte: problemas financeiros, espiritualidade fragilizada, vida emocional contundida e perdas que nos levam ao receio de que possamos viver ou ver muito de perto, o desabamento de coisas que planejamos construir mas, insistem em vir ao chão. Que bom que temos uma boa notícia para os angustiados e desejosos por dias melhores de reconstrução e recomeços sólidos, bem sucedidos e abençoados: Deus tem interesse em nos dar uma vida restaurada. Mais que isso, Ele não apenas quer, como sabe exatamente como fazê-lo. Lendo o texto do profeta Isaías 1. 10-20, contemplamos um convite feito por Deus ao povo, que fala sobre roupas brancas e vestes alvas, banho e purificação pelas águas, porém, não como uma simpatia de um dia mas nos vestindo com trajes limpos e brancos para a vida toda. Vinde, diz Isaías, num convite para que cada um se achegue como está. Não com camisa branca, mas com roupas sujas, coração assolado, planos frustrados, contabilizando perdas, medos, traumas, derrotas e angústias. Vinde, brada o Senhor.

E assim aprendemos que para aqueles que almejam um novo tempo, é necessário aproximar-se de Deus e também reconhecer que estamos sujos pelo pecado pois, “ … as vossas mãos estão cheias de sangue”, diz Isaías. O texto prossegue nos animando a que apresentemos nossas razões, orando a Deus e abrindo nossas mazelas, angústias e inseguranças, confiantes de que o próprio Deus nos lavará, não em águas de praia ou banhos com sal grosso mas, pela fé no sangue derramado pelo ato salvífico de Jesus na cruz, como ensina I João 1.7 b, “..e. o sangue de Jesus, seu Filho nos justifica de todo pecado” para que, nos moldes de Eclesiastes 9.8 a :” em todo tempo, sejam alvas as tuas vestes”. Talvez o grande problema da tradição do branco na virada, seja o momento em que tiramos vestidos, blusas e calças já encardidas após a festa e os depositamos no cesto de roupas sujas, contemplando sua inoperância e fragilidade. Do outro lado, Deus não nos pede um traje do guarda roupa mas nos dá uma alma limpa.

Não se trata de uma noite, contudo de uma vida toda, vivendo nos moldes da Palavra de Deus que mostra que Jesus nos purifica e limpa do pecado que nos destrói. Eis a prescrição de I Pe 3.4 : “…um incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo”, ou seja, pureza genuína e paz. Que neste ano, possamos viver vestidos com roupas limpas não pela cor branca do tecido, entretanto por um caráter transformado pelo poder do Espírito Santo, purificado pelo precioso sangue derramado por Jesus, alvejado pela obediência às Escrituras, por meio de uma vida devocional que sai da mera letra para ser o nosso modo de viver. Roupas brancas, o ano inteiro!