OBSERVANDO E EXECUTANDO

15 de janeiro de 2017
08-01

“Proclame a palavra, insiste oportunamente ou inoportunamente, advirta, repreenda, exorte, com toda paciência e ensino.

Porque haverá um tempo quando não suportarão o ensino saudável, mas segundo seus próprios desejos,

para si mesmos amontoarão falsos mestres tendo coceira no ouvido” – II Timóteo 4:2,3

Existe um propósito muito bem definido nestes versículos da II carta de Paulo para Timóteo que é deixar instruções claras para que ele prossiga no seu ministério.

Os versículos têm a forma de um discurso que objetivam a transmissão de uma mensagem moral. O texto em questão traz conselhos dirigidos ao jovem pastor, afim de que mesmo se a comunidade tomar uma direção diferente daquilo que atualmente está sendo pregado ele persista no que lhe fora ensinado.

No original grego, os verbos Proclamar, Insistir, Advertir, Repreender, Exortar, Ensinar e Suportar estão no modo indicativo e isso significa que não existem dúvidas com relação a que estas ações precisam acontecer.

Tendo em vista que estas ações devem ser cumpridas pelo jovem pastor, o texto nos mostra uma relação de condição, pois, o verbo Amontoar também se encontra no indicativo e pode acontecer, se as ordenanças não forem cumpridas. Segundo João Calvino, com as palavras em destaque o autor pede que Timóteo seja até mesmo enérgico ao conduzir o rebanho de Deus.

Refletindo sobre o ano que se inicia à luz do texto de II Timóteo 4:2,3 fica evidente sua aplicabilidade para nossos dias, pois vivemos um tempo onde as informações são bombardeadas e automaticamente trazem consequências às nossas vidas cotidianas. Somos parte de uma geração imediatista, que tem tudo ao seu alcance de forma muito rápida, estamos cercados de facilidades em todas as áreas.

Não considero que a velocidade de obtenção de informações e facilidades sejam negativas, no entanto, começo a preocupar-me quando trazemos isso para dentro de nosso relacionamento com Deus.

Enquanto o apóstolo Paulo recomenda que sejamos proclamadores insistentes da Palavra de Deus e que cuidemos dos irmãos que estão em Cristo por meio da repreensão, do ensino e da exortação temos colocado nossos relacionamentos com Deus na mesma velocidade em que nossa sociedade trabalha com informações e facilidades.

As nossas vidas devocionais de oração e leitura da Palavra de Deus não podem ser tratadas na velocidade que a sociedade exige de nós rotineiramente, é preciso que voltemos a simplicidade de investir tempo naquilo que é precioso, não podemos nos tornar escravos do que nos é proposto, somente assim não correremos o risco de Amontoarmos falsos mestres, necessitamos até mesmo sermos enérgicos com nossas vidas com Deus.

Vivemos um tempo onde eu peço, eu pago e tudo se resolve, EU DECLARO até mesmo o que Deus tem que fazer e Ele é obrigado a me obedecer, quando na verdade precisamos entender como o apóstolo Paulo em Rm 1:1 que somos escravos de Cristo e consequentemente observadores e cumpridores de sua Palavra, o estado de subordinação a Deus precisa ser retomado por nós.

Que neste novo ano possamos observar e executar os mesmos conselhos que Paulo deu a Timóteo, para que não cheguemos ao fim do ano com amontoados de falsos mestres que estão ao alcance de um clique.

Sejamos servos e que DECLAREMOS sim, mas apenas nossa servidão, nosso desejo de fazer a vontade d’Ele, nossa dependência e acima de tudo o reinado de sua soberania sobre nós.