UMA IGREJA RELEVANTE: NOSSA RESPONSABILIDADE

‘Jesus, pórem, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes. Todo reino dividido contra si mesmo é devastado,
e toda cidade, ou casa, dividida contras si mesma não subsistirá’ – Matheus 12:25

Ante um novo ano é hora de repensarmos aquilo que somos, não apenas individualmente, mas também o que pretendemos ser como corpo de Cristo, como igreja que se faz relevante onde está estabelecida. Um bom começo é o
entendimento que Calvino tinha sobre alguns conceitos que foram aplicados em grande escala em Genebra, vejamos alguns deles e como podemos vivê-los em nossa comunidade de fé. 1- Lei: a compreensão que Calvino tem de lei se torna, assim, larga, no sentido em que ele abraça toda a dimensão da vida humana, todas as suas relações possíveis.

Por que o valor da lei depende diretamente de sua autenticidade, portanto a lei é plena de autoridade por que ela nos comunica a vontade de Deus. Sua ética teocêntrica, baseada na vontade de Deus expressa na lei, através da qual Ele estabelece uma nova relação com o homem depois da queda. 2-O Pecado e a Lei: a lei não somente exige obediência da mente e vontade, mas requer pureza angelical, o contrário deve ser também exato: que desobedecer a lei é pecar,ou, para, inverter a ordem, pecado é desobediência da lei. 3-Lei e Liberdade: Cristo cumpriu a lei, de modo que suas exigências foram já satisfeitas e nós estamos livres das suas obrigações. No espírito, pois, alegremente procuramos cumpri-la, posto que ela conduz a perfeição, ao alvo verdadeiro.

A fé e a obediência se tornam irmãs gêmeas em sua teologia, e como ele desenvolve o significado da lei paralelamente
ao da graça. Podemos então reconhecer o serviço a glória de Deus como motivo único. 4-Lei e o Evangelho: a relação entre eles não como uma tensão, mas como uma harmonia, na qual um complementa o outro. Calvino torna as manifestações de Cristo muito claras no Antigo Testamento, como, por exemplo, em Abraão.

A compreensão calvinista da lei divina é baseada no reconhecimento de que a lei de Deus é pactual. O mesmo pacto feito conosco é o mesmo com os patriarcas em substância e realidade, portanto a lei, em nenhum momento deixou de ser importante para os cristãos, pelo contrário, ela se torna mais significativa e poderosa por força da sua relação com Cristo e com o Evangelho. Assim, Cristo não é encontrado apenas no Evangelho, mas também na lei.

Nós aceitamos Calvino com um exemplo ou como modelo na medida em que o vemos ter, de modo inesquecível, apontado para a igreja do seu tempo a estrada da obediência: obediência de pensamento e atos, obediência social e política. Em Genebra, cidade onde Calvino desenvolveu grande parte do seu ministérios existia uma clara analogia entre a ética e a prática diária da vida Cristã. Ver como Calvino interpretava a lei, a graça e os desdobramentos da mesma no dia a dia é uma visão que nos permite refletir sobre como temos usado os princípios que conhecemos em direção a centralidade da cruz de Cristo. Perceber que as atividades cotidianas de uma cidade estavam ligadas diretamente as atividades da igreja e consequentemente com seus membros é algo que podemos refletir sobre como estamos envolvendo nossa comunidade local com a cidade e qual a sua relevância para a mesma.

Precisamos nos envolver com as questões sociais desta fase da modernidade: o homossexualismo, as questões de violência de gênero, o aborto, drogas ilícitas e lícitas, dentre outros temas que nos são imputados nessa época na qual fomos jogados. Atualmente temos negociado o que entendemos por valores fundamentais cristãos e teológicos por conta das situações que o meio nos imputa, diferentemente de Calvino que odiava a heresia e era ferrenho defensor de suas crenças. Carecemos refletir de tempos em tempos a fim de não sermos levados pelas situações que muitas vezes nem percebemos que estamos envolvidos. Que neste ano que se inicia sejamos capazes de nos envolver com as questões da sociedade de modo a sermos uma referência para aqueles que precisam ter suas vidas norteadas pelo Cristo que é dono do novo em nossas frentes.